Historia de sucesso

Branquinho e esposa rompem a automedicação e aderem ao TARV.
Betinho e sua família, na sua residência, após uma entrevista com a equipa do projecto Rumos;Betinho Branquinho e Dulce Zeca são um casal jovem que vive no distrito de Inhasunge, na província da Zambézia. Betinho tem 26 anos de idade e Dulce tem 23, o casal tem quatro (4) filhos. A dada altura, Dulce começou a sentir-se doente, tinha diarreias, dores constantes de cabeça, malária recorrente e Herpes Zoster. A Herpes Zoster é uma doença oportunista, conhecida na Zambézia por “motwo wa matiwu ou fogo da noite”, e localmente é associada à feitiçaria.
Sem saber a doença que tinha, Dulce optou por se automedicar, comprando comprimidos num vizinho, mas o seu estado de saúde piorou, até que um dia ganhou coragem e decidiu procurar tratamento na unidade sanitária, onde fez o teste de HIV e teve resultado positivo. Dulce começou a fazer tratamento anti-retroviral.
 Durante esse período, Betinho recusava-se a fazer o teste e quando ficasse doente, preferia fazer tratamento junto dos médicos tradicionais. “Eu não conseguia acreditar que tinha HIV porque eu não estava doente, nem acreditava nessa doença, por isso proibi minha mulher de continuar a fazer o tratamento e até ameacei me separar dela”, contou Betinho. 
Devido a pressão exercida pelo marido, Dulce abandonou o tratamento e pouco depois o seu estado agravou-se: “Quando parecia que a minha doença ia me levar à morte, apareceu a minha vizinha, a facilitadora do projecto Rumos, Maria Lúcia, que nos visitou e nos convidou a participar das sessões de Diálogos Comunitários. Durante as sessões percebi a importância de fazer o tratamento e eu mesma pedi para que a facilitadora me acompanhasse ao centro de saúde e ela novamente falou da importância de meu marido ir junto” (Dulce).
Para Betinho, foi a sessão que aborda a importância da revelação do seroestado e a serodiscordância entre os casais que o convenceu a fazer o teste de HIV: “Quando eu vi aquele vídeo sobre a história de Victorino e Julieta senti que aquela história falava da minha vida. Eu nunca aceitei o tratamento porque sempre pensei que a minha mulher era culpada pela doença ter entrado na nossa família”, disse Betinho.
Quando o casal foi à unidade sanitária e fez o teste, o resultado foi positivo para ambos. Dessa vez, com o apoio da facilitadora, Betinho aceitou o seu seroestado e ambos decidiram aderir ao tratamento anti-retroviral. Betinho disse que teve muita sorte de ser convidado para participar das sessões que foram a solução para o seu sofrimento. 
As sessões de Diálogos Comunitários fazem parte de um pacote de intervenções de comunicação para a mudança de comportamento realizadas pelo projecto Rumos, um programa com duração de 4 anos, implementado pelo Centro de Programas de Comunicação da Universidade Johns Hopkins, financiado pelo Plano de Emergência do Presidente dos Estados Unidos para o Alívio do SIDA, através da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.